Trilogia Flatland - em detalhe



Apresentação do projecto:
Esta instalação-espectáculo é um projecto mix media dividido em 3 partes que podem existir separadamente ou em conjunto, interligando-se por um labirinto de cortinas de teatro brancas e móveis. Cada secção corresponde a uma fase diferente da vida de um Homem Plano, um Homem bidimensional que descobre que lhe falta uma terceira dimensão. Este homem, desesperado com tamanha falta, faz várias experiências para resolver o problema. Um dia, acidentalmente, descobre que através do cinema e do teatro (e desde que seja visto por espectadores), ele pode existir temporariamente no mundo 3D; e quando os espectadores deixam de o olhar, ele regressa ao mundo plano. Contente com a descoberta mas descontente com a dependência, o Homem Plano decide raptar o público para que fiquem eternamente a olhar para ele e lhe confiram finalmente uma imortalidade tridimensional; mas naturalmente, dessa escolha, outros problemas advêem. Tal como Sherazade conta história após história, noite após noite, sabendo que o fim das suas histórias corresponde ao fim da sua vida, também esta personagem tenta adiar a sua morte. Ele sabe que ao transpor a “porta” da tela (ou do palco) para os bastidores, é o actor que regressa para os aplausos e não ele.  

Ponto de Partida
“Flatland/Para Cima e não para Norte” nasceu a partir do livro “Flatland” de Edwin Abbot no laboratório APT- arts, performance and Theatricality, realizado na Bélgica em 2003 com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, onde tive a oportunidade de iniciar a minha pesquisa sobre 2D e 3D e onde desenvolvi o conceito deste projecto. O resultado desta primeira pesquisa foi apresentado em conferência nos “Encontros Capitals” - CAM/ACARTE em 2003 e o projecto “Flatland” recebeu uma menção honrosa da Bolsa Ernesto Sousa para projectos multimédia da Fundação Calouste Gulbenkian.

Parte I – O Livro do Homem Plano
“Flatland – Parte I (Para Cima e não para Norte)” é o primeiro de 3 episódios que contam a trágica vida de um Homem Plano que um dia descobre que lhe falta uma terceira dimensão. Nesta primeira parte, podemos seguir O Homem Plano na sua reflexão pelos mundos da bidimensionalidade e da perspectiva até descobrir que a sua existência temporária no mundo 3D é possível se existirem espectadores a olhar para ele. Contente com a descoberta mas descontente com a dependência, o homem plano inicia uma estratégia para conquistar uma imortalidade tridimensional.” Flatland-Parte I é um espectáculo multimedia, onde letras, sons e imagens em movimento compõem e transformam um livro de 3mx4m. Um livro que se pode ver, ler, ouvir, e absorver de diferentes maneiras. Recebeu o Prémio ACARTE / Madalena Azeredo Perdigão 2004, da Fundação Calouste Gulbenkian.

Parte II – To be is to be seen
Os espectadores esperam na entrada de um teatro pelo início do espectáculo. O Homem Plano entra e explica com a maior brevidade algumas cenas dos capitulos anteriores (tal como na introdução de novos episodios de uma serie televisisva). O Homem Plano explica a necessidade de uma re-encenação de um rapto e convida os espectadores a entrar num autocarro com uma televisão que envia instruções sobre como ser uma boa vítima um microfone com imenso feed back. Todos os espectadores seguem para uma sala onde se desenrola um rapto suis generis, com direito a números de cabaret, momentos de suspense, manifestos e cocktail muito breve mas muito saboroso. Na plateia, nem todos os lugares estão vazios. Muitos têm bonecos de pano vestidos, que parecem mulheres e homens mortos ou a dormir. Nota: imagens finais do ataque terrorista num teatro em Moscovo em Outubro de 2002 É o momento das mil e uma noites, onde o homem plano inventa sketch atrás de sketch, de forma a adiar o final do espectáculo e a manter-se “vivo” no mundo 3D. O Homem Plano liga a rádio e a televisão. Em todos os media se fala dele. O Homem Plano percebe que andam à sua procura e que o rapto não poderá ser sustentado para todo o sempre. Num último grito de Ipiranga, o Homem Plano cria um último jogo em que os jogadores, tal como no programa Big Brother, têm de desempenhar determinadas tarefas para para se manterem, neste caso, na plateia, e de tempos a tempos têem de escolher quem é que sai “da casa” (o que, significa, neste caso, ser libertado!). Cada jogador/espectador que é escolhido, deve abandonar imediatamente o teatro. No final ( e apenas na televisão!) – todos os reféns são libertados. Cá fora, na entrada do teatro, há imensos flashes fotográficos e som de helicópteros, como convém a um evento com cobertura televisiva! Os espectadores entram novamente no autocarro, imaginando que vão ser levados de novo para o ponto de partida quando se apercebem que estão a ser raptados de novo. Tudo se desenrola como na primeira vez mas com ligeiras mudanças de media utilizados: o que era ao vivo, passa a ser projectado, o que era projectado passa a ser ao vivo, novos elementos são acrescentados, outros desaparece. A história é exactamente a mesma, e quando os espectadores pensam que são salvos pela segunda vez, mais uma vez são raptados numa espécie de loop terrorista, até à “salvação final”. A partir daqui, a história continua através de notícias na rádio, pelo telemóvel e na televisão.

Parte III – zapping room Esta é uma parte que se realiza em diferentes media e em diferentes lugares durante um espaço de tempo. Esses espaços podem ser ecrãs municipais, ecrãs instalados nas estações de metro de Lisboa, em pequenas informações por telemóvel, etc.... é durante esta parte que se sabe que o teatro onde o “rapto” do homem plano acontece é cercado pela polícia, e é nesta parte que se dá início à caça ao Homem Plano. Os espectadores podem seguir tudo o que se passa dentro e fora do teatro através de pequenas notícias de 1 ou 2 minutos. Entrevistas, testemunhas, opinion-makers, especialistas, vítimas entre outros, fazem parte deste grande evento mediático! De 3 em 3 dias as notícias e a informação sobre o rapto vai-se desenvolvendo como se fosse uma espécie de telenovela jornalística. No final do mês o puzzle telejornalístico ficara completo e pode ser apresentado na totalidade ou só os últimos episódios. Em todo o caso, e após a composição deste episódio feito em exclusivo para o canal do Metro, a sua versão completa pode ser vista numa instalção com 10 televisores SONY, com uma pequena curiosidade: Todos os clips de informação serão editados como se estivessemos constantemente a fazer zapping e todos os canais estivessem a dar versões diferentes do mesmo evento (O rapto do Homem Plano). O espectador, ao tentar acompanhar a lógica do zapping, pode descobrir a ligação entre os canais, e consequentemente, seguir em directo a perseguição final e a morte do Homem Plano.

FIM FICHA TÉCNICA Coordenação e texto Patrícia Portela
Design sonoro
................................Christoph de Boeck (BE)
Edição vídeo e grafismo ...................Helder Cardoso e Patrícia Portela
layout do Livro e dos telejornais .........irmã Lucia efeitos especiais Direcção técnica ............................Helder Cardoso
Intérprete
....................................Anton Skrzypiciel (AT)
Jornalistas ....................................Luís Gouveia Monteiro, Luís Rego e Maria João Guardão Produção executiva..........................Helena Serra e Patrícia Portela
Subsidiado por:
IA (Instituto das Artes de Portugal) Fundação Calouste Gulbenkian Co-produtores : WP Zimmer (Bélgica) Centro Coreográfico de Montemor-O-Novo (Portugal) Lugar Comum (Portugal) Video Lisboa Time Festival
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